Uma década depois do assassinato do jovem Ewerton da Rocha Ferreira, o ex-deputado distrital Carlos Xavier, acusado de ser o mandante do crime, vai ao banco dos réus. Primeiro parlamentar cassado na história da Câmara Legislativa, Xavier será julgado no Tribunal do Júri em 6 de abril de 2014, após adiamento do júri marcado para 26 de fevereiro deste ano. O réu foi pronunciado para responder perante júri popular por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima (artigo 121, § 2º, inciso IV c.c o artigo 29, ambos do Código Penal, no Fórum de Samambaia e promete. movimentar a cidade.
Segundo investigações da Polícia Civil, o então distrital teria encomendado a morte do rapaz, à época com 16 anos, depois de descobrir que ele era amante da ex-mulher. A defesa alega que o ex-parlamentar é inocente e garante que a acusação teve interesses políticos. As duas teses serão confrontadas diante dos jurados, que decidirão o futuro do ex-deputado. Carlos Xavier, que era filiado ao PMDB, teve o mandato cassado depois de ser denunciado por envolvimento no crime. A assistente da acusação é a advogada Julia Solange Oliveira, contratada pelos pais da vítima, Sirlene e Omar, inconformados com a liberdade que goza o ex distrital.
Ewerton foi assassinado em março de 2004 e o corpo encontrado atrás de uma parada de ônibus do Recanto das Emas. Pouco depois, o nome de Carlos Xavier surgiu em meio às investigações do crime e, em agosto do mesmo ano, a Câmara decidiu pela cassação do então parlamentar. Se o processo político foi rápido, o caso se arrasta na Justiça há quase 10 anos, com a apresentação de recursos até em tribunais superiores. Desde que o Conselho Especial do TJDFT acatou a denúncia contra Carlos Xavier, em junho de 2004, ele responde ao processo em liberdade.
A denúncia foi apresentada pelo Procurador-Geral da Justiça do MPDFT pois, na época, o réu exercia o mandato de deputado distrital na Câmara Legislativa do Distrito Federal, e recebida em 18/10/2004 pelo Conselho Especial do TJDFT. Os fatos narrados na peça acusatória contam que a vítima foi morta perto da meia-noite, “nas imediações de uma parada de ônibus próximo a um viaduto que liga o Recanto das Emas a Samambaia”, enquanto voltava para casa da escola onde estudava. O motivo do crime estaria ligado á vida conjugal do réu. Explica a acusação que o relacionamento com a esposa havia se deteriorado pois esta, “a despeito de ser casada, passou a manter, rotineiramente, múltiplos relacionamentos extraconjugais com adolescentes, dentre os quais a vítima, 16 anos”. Relata o MP: “Descontente com essa situação constrangedora, que se tornara pública e notória no local onde o casal vivia, inclusive na igreja que ambos frequentavam, o denunciado resolveu então, depois de ouvir amigos próximos, tomar providências para por fim à questão, já que essa exposição pública da mulher comprometia sobremaneira sua imagem de homem religioso e de político de destaque no Distrito Federal: propor uma ação de separação de corpos para afastá-la do lar conjugal”. Teria decidido também procurar a vítima em sua residência e ameaçá-la, além de contratar alguém para executar o crime, ao preço de R$ 15 mil.
(Com informações do TJDFT ).
Fonte: Zuleika Lopes- Assessora de Imprensa da advogada Julia Solange
fonte: blog do cafezinho
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