sábado, 1 de fevereiro de 2014

José Dirceu sugere que o Distrito Federal adote o uso das tornozeleiras


Por Paulo Henrique Abreu*

José Dirceu também propõe a remição de pena pela leitura e ampliação do ensino à distância

Estive ontem (31), em comitivacom os integrantes da CDH/OAB-DF, no Centro de Internação e Reintegração - CIR, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, onde pudemos constatar as mesmas deficiências de tempos atrás: superlotação e escassez de servidores, o que corrobora com a violação dos direitos humanos dos presos e dos agentes. ...

A realidade ali encontrada não difere dos demais presídios do DF visitados, nem tampouco do restante país. Essa é a nefasta face carcerária nacional. A sociedade paga um preço muito alto por isso, já que o sistema não consegue inserir de forma satisfatória aquele que cumpriu uma pena pelo crime cometido, apenas o retém por certo período. O preso retorna ao convívio social mais ensandecido e mais perverso. O percentual de reincidência gira em torno de 70%. Isso é fato!

As salas de estudos e as oficinas, que poderiam ajudar no processo de ressocialização do preso, são insuficientes para abrigar os 1.600 presos confinados. Somente 400 se beneficiam. A ociosidade é a tônica. O regime, nesse presídio, é essencialmente semi-aberto, no entanto, apenas 57 internos têm o benefício de cumprir trabalho extramuros, assim mesmo nas redondezas, não mais que 500 metros de distância dos muros da cadeia. Os demais presos, em condições de trabalho, ficam trancafiados como bichos fossem de qualquer zoológico mundo afora.

Na visita, ficou evidente a falta de investimento público no setor. A estrutura física do presídio está em péssimas condições, sendo necessária urgentemente a sua demolição. Infiltrações nas paredes, transbordos de esgotos em celas e corredores, falta d’água são alguns pontos essenciais e merecem um olhar mais atento das autoridades. O risco de ocorrer uma tragédia é iminente e real. Fica o alerta!

Também, a Comissão pôde constatar que não há privilégio aos condenados do Mensalão. Estivemos na cela de José Dirceu e Valdemar Costa Neto. Tudo, exceto a boa limpeza, igual às demais celas de presos comuns. Os dois comem a mesma "xepa" servida aos presos e tem pouco menos de duas horas de banho de sol. Nada de especial. Obviamente, por questões de segurança, ambos não são colocados em contato com a chamada "massa carcerária". Talvez tornar-se-iam moedas de ouro nas mãos de presos que optassem por um motim. Seria o caos. 
José Dirceu, professoral, conversou com a Comissão sugerindo que o Distrito Federaladote o uso da tornozeleira para desafogar o sistema e propõe a remição de pena pela leitura e ampliação do ensino à distância. Uma boa conversa. Ele e Valdemar vestiam roupas brancas (camiseta e bermuda) como determina as regras prisionais daqui. Nenhum luxo. No entanto, não deixa de ser constrangedor vê-los ali trancafiados, pois 99,9% de nossas cadeias são ocupadas por negros, pobres e jovens. Eles, de fato, destoam do ambiente.
O papo é esse!

* Advogado e jornalista, secretário-geral da Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF
Fonte: Redação - 01/02/2014 

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