Polícia italiana diz que há brecha em tratado Brasil-Itália para extraditar
Por Deborah Berlinck
Pela lei italiana um cidadão do país,
em princípio, não pode ser extraditado. É o caso de Henrique Pizzolato, que tem
dupla nacionalidade: é brasileiro, mas também italiano. Mas nesta quarta-feira,
Francesco Fallica, coronel da Guarda de Finança, que trabalha na coordenação da
polícia italiana com a Interpol, disse que uma brecha em um tratado entre
Brasil e Itália abre essa possibilidade:
- A possibilidade de extradição existe,
é concreta. Foi isso que nos permitiu agir - revelou o coronel. ...
A decisão da extradição, entretanto,
caberá à Corte de Apelação de Bolonha, tão logo receba oficialmente o pedido de
extradição do Brasil. Brasília tem 40 dias para enviar os documentos para a
Itália.
Fallica disse que a Guarda de Finança,
junto com a Intepol, começou a buscar pistas de Pizzolato na Itália no dia 26
de novembro à noite. A primeira pista foi encontrada em Siena, no norte da
Itália.
- Não fomos lá. Às vezes, indo,
queimamos outras possibilidades. Vimos que era a pista falsa. Isso nos permitiu
chegar à boa pista.
A polícia italiana, agora, investiga
quem possa ter ajudado Pizzolato na fuga.
- Pelo número de documentos que
apreendemos, é possível que tenham outras pessoas ajudando. Isso será
investigado.
Os policiais disseram que a fuga foi bem
preparada. Antes de o nome de Pizzolato ser colocado na lista de fugitivos da
Interpol, ele teria passado por Spezia. Na casa do sobrinho, Fernando Grando,
ele estaria há não mais de uma semana.
- Estivemos em contato direto todo este
tempo com a polícia brasileira, que foi bravíssima nas investigações. Tivemos
trocas contínuas - elogiou Fallica.
Ele
não quis revelar que elemento permitiu a polícia chegar à casa do sobrinho. Os
policiais revelaram que passaram um dia observando o apartamento onde estava
Pizzolato. Como todas as janelas estavam constantemente fechadas, a polícia
italiana teve a ideia, primeiro, de verificar o consumo de água, e constataram
que continuava sendo usada, mesmo depois que Fernando Grando, sobrinho do
ex-diretor de marketing do BB, saía para trabalhar. Depois, resolveram cortar a
luz. Foi aí que alguém saiu do apartamento, certamente para verificar o que
tinha acontecido. Pizzolato foi levado pelos policiais sem resistência. Como
cooperou, não foi algemado.
- Nós acreditamos que ele entrou na
Itália vindo da Espanha. Do Brasil, teria ido para a Espanha - contou o coronel
Francesco Fallica.
Pizzolato teria entrado na Itália em
outubro. Um dos caminhos foi a Espanha. Entre os documentos apreendidos pela
polícia italiana estava uma carteira de motorista de Málaga, na Espanha.
Segundo um dos policiais que participou da prisão de Pizzolato, o
tenente-coronel Carlo Carrozo, de Modena, região onde o brasileiro foi preso, a
mulher de Pizzolato, Andréa Haas, também tem nacionalidade espanhola.
- Ela tem residência oficial em Málaga
- disse.
Fonte: Jornal O Globo -
06/02/2014

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