quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Condenados do Mensalão do PT

Polícia italiana diz que há brecha em tratado Brasil-Itália para extraditar

 Por Deborah Berlinck


Pela lei italiana um cidadão do país, em princípio, não pode ser extraditado. É o caso de Henrique Pizzolato, que tem dupla nacionalidade: é brasileiro, mas também italiano. Mas nesta quarta-feira, Francesco Fallica, coronel da Guarda de Finança, que trabalha na coordenação da polícia italiana com a Interpol, disse que uma brecha em um tratado entre Brasil e Itália abre essa possibilidade:

- A possibilidade de extradição existe, é concreta. Foi isso que nos permitiu agir - revelou o coronel. ...

A decisão da extradição, entretanto, caberá à Corte de Apelação de Bolonha, tão logo receba oficialmente o pedido de extradição do Brasil. Brasília tem 40 dias para enviar os documentos para a Itália.

Fallica disse que a Guarda de Finança, junto com a Intepol, começou a buscar pistas de Pizzolato na Itália no dia 26 de novembro à noite. A primeira pista foi encontrada em Siena, no norte da Itália.

- Não fomos lá. Às vezes, indo, queimamos outras possibilidades. Vimos que era a pista falsa. Isso nos permitiu chegar à boa pista.

A polícia italiana, agora, investiga quem possa ter ajudado Pizzolato na fuga.

- Pelo número de documentos que apreendemos, é possível que tenham outras pessoas ajudando. Isso será investigado.

Os policiais disseram que a fuga foi bem preparada. Antes de o nome de Pizzolato ser colocado na lista de fugitivos da Interpol, ele teria passado por Spezia. Na casa do sobrinho, Fernando Grando, ele estaria há não mais de uma semana.

- Estivemos em contato direto todo este tempo com a polícia brasileira, que foi bravíssima nas investigações. Tivemos trocas contínuas - elogiou Fallica.

Ele não quis revelar que elemento permitiu a polícia chegar à casa do sobrinho. Os policiais revelaram que passaram um dia observando o apartamento onde estava Pizzolato. Como todas as janelas estavam constantemente fechadas, a polícia italiana teve a ideia, primeiro, de verificar o consumo de água, e constataram que continuava sendo usada, mesmo depois que Fernando Grando, sobrinho do ex-diretor de marketing do BB, saía para trabalhar. Depois, resolveram cortar a luz. Foi aí que alguém saiu do apartamento, certamente para verificar o que tinha acontecido. Pizzolato foi levado pelos policiais sem resistência. Como cooperou, não foi algemado.

- Nós acreditamos que ele entrou na Itália vindo da Espanha. Do Brasil, teria ido para a Espanha - contou o coronel Francesco Fallica.

Pizzolato teria entrado na Itália em outubro. Um dos caminhos foi a Espanha. Entre os documentos apreendidos pela polícia italiana estava uma carteira de motorista de Málaga, na Espanha. Segundo um dos policiais que participou da prisão de Pizzolato, o tenente-coronel Carlo Carrozo, de Modena, região onde o brasileiro foi preso, a mulher de Pizzolato, Andréa Haas, também tem nacionalidade espanhola.

- Ela tem residência oficial em Málaga - disse.

Fonte: Jornal O Globo - 06/02/2014 

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